quarta-feira, 13 de julho de 2011

PAIXÃO
O cinema é, de fato, o meu herói. Parece que tudo que quero fazer, dizer, ele faz, diz. Gosto de originalidade, mas não resisto aos falares, dizeres do cinema.
O Senhor dos Anéis – torne-se quem você nasceu pra ser. Transformers – o que é que te move ser de carne, é medo ou é coragem?! ...E o Vento Levou – eu juro que nunca mais passarei fome novamente!
Às vezes, ou melhor, sempre, passo horas pensando, refletindo sobre tudo, as coisas do mundo, como seria se acontecesse assim, e se fosse dessa forma, como seria? Divago. Penso na fé. Penso nas forças do Universo. Pergunto: porque acreditamos em Deus, se nunca o vimos? O que faz com que acreditemos Nele? Será que temos fé? Ou é medo? Será que essa crença não se pauta somente no medo de ser verdade o que dizem e se a gente não acreditar vai pro inferno?
Será que não é porque o homem realmente precisa abstrair, senão ele morre? Será que o homem estaria aqui hoje se não tivesse inventado a Arte? Será que a força motriz do homem não é a incerteza, a dúvida? Ou será mesmo Deus? E o Universo? Existem mesmo forças cósmicas, que conspiram para que certos eventos aconteçam? Se sim, porque quando imputamos ou fazemos nossos pedidos, desejos, eles nem sempre se concretizam? Há um velho dizer que professa o seguinte: o que mais se perde no mundo é vontade e folha seca no mato.
Nós, humanos, desejamos tanto certas coisas, mas nem sempre conseguimos. Pode pedir, espernear, chorar, mas só acontece se Deus assim desejar – é a explicação religiosa. Mas, e as forças universais? Porque não fazem com que se concretize, se dizem que é só se concentrar no objeto desejado e marchar em sua direção que na frente o encontrará?
Talvez nossos desejos aconteçam e nem percebemos isso. A religião diz que Deus dar-nos aquilo de que precisamos, não aquilo de que achamos que precisamos.
Será que ser homossexual é mesmo pecado? A pergunta é só pra constar, pois não creio que isso seja verdade. Reflitamos: um homem transa com uma mulher. Tudo bem, será que existe um homem no mundo que faz sexo com uma mulher sem desejá-la? Ele gozaria? Bom qualquer religiosa me rebateria e eu o rebateria também: sou gay, certamente se tivesse a possibilidade de escolher, não sou hipócrita, sou racional, ninguém escolhe ser apontado como uma mancha social, o homem tem como principal instinto – a sobrevivência.
Então, certamente, ninguém iria escolher ser xingado na rua, ser expulso de casa, não poder andar de mãos dadas com seu namorado, não poder beijá-lo na em público, não poder ter filhos biológicos. Tudo isso é real, acontece. Heterossexual, ou melhor, “gente normal” pode. Não tem problema beijar, passear de mãos dadas, embora um gay pague imposto igual a qualquer outra pessoa, pra isso a justiça não é nada cega!
Meu depoimento: quando eu tinha 14 ou 15 anos, achava os homens belíssimos, mas pensava que apenas queria ser como aqueles homens, de fato, eu queria e ainda quero ser como aqueles homens, mas também quero fazer amor, sexo, ir pra cama com eles, fazer tudo que me deixe satisfeito sexualmente. Não consigo ver mal nisso, todo mundo faz isso, porque não é pecado para as outras pessoas e dever pra mim? Porque a forma como faço sexo incomoda tanta gente? E aí as teorias despencam – quem tem esse tipo de atitude, é porque na verdade, é gay e não tem coragem de assumir. Mas não no esqueçamos da cultura – as pessoas são ensinadas a ter raiva de gay, são adestradas desde que nascem, ou, dentro do útero.
Então, naquela idade, me descobrir gay. Me apaixonei por um cara chamado Falcão (IPA), tinha 16 anos quando o conheci. Nunca transei com ele. Acho que namorei um pouco, ele deixava eu acariciá-lo, dizia que tinha medo de me machucar, pois eu era uma criança e ele um homem enorme e seus dotes faziam jus ao seu tamanho. Vivi uma paixão avassaladora, sobrevivi a muitas outras paixões, algumas bem loucas, mas o Falcão foi único. Aquele homem foi feito pra fazer aquilo comigo, ele estava lá, naquele lugar, me esperando. Fui tão apaixonado por ele que ainda nos dias de hoje não consigo me lembrar dele e não sentir aquele fogo, aquela dor de amor, meu coração palpita mais forte. Não sei onde ele está, talvez seja melhor assim, é possível que não possível ficarmos juntos e aí a frustração seria pior ainda, sendo que hoje sou bem mais persuasivo, não sou mais aquela criança que ele conheceu – o lugar dele está aqui, separado em meu coração, mil anos se passarão e meu amor por ele estará resguardado.
Não quero relatar desventuras, vou contar as coisas boas que ficaram. O próximo grande amor da minha vida chama-se Zé Carlos (JCRG). Tive o amor daquele homem, sofri, amei, chorei, fiz bobagens e o perdi, muito embora ele nunca tenha me desprezado. Sempre foi atencioso, conselheiro, e isso fez dele um grande amor e não somente um homem lindíssimo que passou pela minha vida. Sei que eu quando novo era o desejo de qualquer homem, todos queriam me levar pra cama, mas – em nome do amor que sentia pelo Falcão e depois pelo Zé Carlos, deixei dezenas deles na mão, literalmente. Ouvi numa novela certa uma frase: “melhor viver de lembrança do que de esperança falida”. Ainda tenho essa esperança de tê-los um dia, mas vivo da lembrança dos bons momentos que tive com o Zé Carlos e outros homens, que apesar de não representarem grandes amores, nem paixões avassaladoras, me proporcionaram grandes momentos.
Hoje vivo, depois de um “baque” no coração, uma vida sem amor, no sentido de não permitir me apaixonar. Muitos dizem que isso não depende de nós, pois quando o cara aparece, não tem jeito, você cai. Sei não, até agora tem dado certo pra mim.
Mas quero ceder um pouco, sei lá, me arriscar... coisas do tipo. Conheci um “muleque”, último dia dez, fruto da 8ª Parada Gay – São Luís. Fui ao evento (já me vi fazendo isso aqui – deja vù?!) e não arrumei nada. Voltei pra casa. Logo depois chega minha irmã com o namorado, alguns sobrinhos e uns amigos deles – joguei meus faróis num que meu corpo tremeu. Agora vem as idéias: como ficar com esse cara? Será que ele gosta, se a conversa era só de peguei, beijei ... mulheres, meninas,... armei o circo, ou, a cama, decidi onde cada um ia dormir e ele, é claro, do meu lado. Apagaram-se as luzes, os roncos começaram, cuidei de mandar minha mão boba procurar algo pra fazer, dormimos literalmente juntos, agarrados, pra ser mais franco.
Que corpo é aquele, que barriga gostosa, a bunda é um sonho. E meu corpo desejou aquele muleque, eu fico trêmulo quando penso nele. Tô pra me acabar de me masturbar pensando nesse porrinha. Se ele aceitar vou encarar, se não, fazer o quê, bola pra frente, né?!